Dor e inchaço na região anal nem sempre é hemorroida: conheça outras causas

Dor e inchaço na região anal nem sempre é hemorroida: conheça outras causas

Quando sentimos qualquer desconforto na região anal, como dor, inchaço ou um pequeno sangramento, o nosso cérebro tende a buscar a explicação mais conhecida popularmente: “deve ser hemorroida”. Essa associação é tão automática que muitas pessoas correm para a farmácia em busca de pomadas ou iniciam receitas caseiras sem antes consultar um especialista.

No entanto, embora a doença hemorroidária seja, de fato, uma das causas mais comuns de visitas ao consultório de coloproctologia, ela não é a única vilã. A região anorretal é complexa, repleta de terminações nervosas e glândulas, e suscetível a diversas outras condições que, apesar de apresentarem sintomas semelhantes, possuem origens e tratamentos completamente distintos.

Neste artigo, vamos desmistificar a ideia de que “tudo é hemorroida” e explicar outras três condições frequentes que podem estar por trás do seu desconforto: abscessos perianais, doenças de pele e plicomas. Além disso, falaremos sobre os riscos reais da automedicação.

 

O perigo do autodiagnóstico na Coloproctologia

O primeiro passo para a saúde intestinal é entender que sintomas parecidos não significam a mesma doença. A região anal reage a agressões de formas limitadas: dor, ardor, coceira (prurido), inchaço (edema) e sangramento. Como o “vocabulário” de sintomas do corpo é restrito, doenças muito diferentes podem “falar” a mesma língua.

Confundir um abscesso (que é uma infecção grave) com uma hemorroida e tratá-lo com pomadas para circulação pode não apenas falhar em resolver o problema, como agravar a infecção, levando a quadros mais sérios como a gangrena de Fournier ou fístulas complexas.

 

1. Abscessos Perianais: Uma urgência disfarçada

Diferente das hemorroidas, que são veias dilatadas e inflamadas, os abscessos perianais são cavidades preenchidas com pus, resultantes de uma infecção aguda. Geralmente, eles começam quando uma das glândulas produtoras de muco dentro do canal anal fica obstruída por bactérias presentes nas fezes.

Os sintomas clássicos incluem:

  • Dor intensa e pulsante: A dor tende a ser contínua e piora ao sentar ou evacuar.
  • Inchaço e vermelhidão: É comum sentir um “caroço” endurecido, quente e doloroso ao toque próximo ao ânus.
  • Sintomas sistêmicos: Em casos mais avançados, o paciente pode apresentar febre e mal-estar geral.

Qual a diferença no tratamento? Enquanto hemorroidas podem ser tratadas com dieta, medicamentos e procedimentos ambulatoriais, o abscesso exige drenagem cirúrgica imediata para retirar o pus e aliviar a pressão. O uso de antibióticos ou pomadas sem a drenagem não resolve o problema e pode mascarar a gravidade da situação. Se não tratado, o abscesso quase sempre evolui para uma fístula anal (um trajeto anormal entre o ânus e a pele), que exigirá cirurgias mais complexas no futuro.

 

2. Doenças de Pele (Dermatites e Infecções)

A pele da região perianal é extremamente sensível e está exposta a um ambiente úmido e com presença de bactérias. Por isso, não é raro que o desconforto sentido pelo paciente seja, na verdade, um problema dermatológico e não vascular (como as hemorroidas).

Dermatites e Eczemas

Muitas vezes, o uso excessivo de papel higiênico, lenços umedecidos com fragrância, sabonetes agressivos ou até mesmo o suor excessivo podem causar dermatites de contato. Isso gera vermelhidão intensa, ardor e coceira, simulando uma crise hemorroidária.

Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

Condições como o Herpes Genital podem surgir na região perianal, causando pequenas bolhas que se rompem e formam feridas dolorosas. Da mesma forma, infecções bacterianas ou fúngicas (como a candidíase) podem causar inchaço e irritação. O tratamento, nestes casos, envolve antivirais, antifúngicos ou antibióticos específicos, e nunca as pomadas tradicionais de hemorroidas, que muitas vezes contêm corticoides e podem piorar infecções virais ou fúngicas.

 

3. Plicomas: O “excesso” de pele que confunde

O plicoma anal é uma das queixas estéticas e funcionais mais comuns no consultório. Ele é, basicamente, um excesso de pele (um “saquinho” de pele flácida) ao redor do ânus. Muitas vezes, o plicoma é a “cicatriz” de uma crise anterior de hemorroida que desinchou ou de uma fissura que cicatrizou, deixando essa pele sobressalente.

Por que confunde? O paciente sente algo “para fora” na hora da higiene e assume que é uma hemorroida externa. A diferença é que o plicoma, geralmente, é indolor (a menos que inflame por trauma local) e não sangra espontaneamente.

O problema do plicoma é que ele dificulta a higiene. Fezes podem ficar retidas nas dobras dessa pele, causando irritação, dermatites secundárias e prurido (coceira). O tratamento é estritamente cirúrgico (plástica anal) e indicado quando há desconforto higiênico ou estético para o paciente.

 

O erro da automedicação e das “dicas de internet”

Vivemos na era da informação, mas quando se trata de saúde, o “Dr. Google” pode ser perigoso. O maior erro que vemos na prática clínica é o paciente que chega ao consultório após semanas usando uma pomada indicada por um vizinho ou parente.

Pomadas anestésicas podem mascarar a dor de uma fissura anal crônica ou de um câncer anal, atrasando o diagnóstico. Pomadas com corticoides, se usadas em infecções fúngicas ou virais, podem fazer a lesão se alastrar rapidamente.

O tratamento deve ser individualizado

Não existe uma “pomada milagrosa” que serve para tudo. O tratamento para uma trombose hemorroidária é diametralmente oposto ao tratamento de um abscesso. Enquanto um pede medidas para dissolver o coágulo e desinflamar, o outro pede bisturi e drenagem. Tentar tratar um com o remédio do outro é a receita para o prolongamento do sofrimento.

 

Quando procurar um Coloproctologista?

A recomendação é simples: notou algo diferente? Procure ajuda. Não espere a dor se tornar insuportável.

Você deve agendar uma consulta se notar:

  • Sangramento anal (seja no papel, no vaso ou nas fezes);
  • Dor persistente ao evacuar ou logo após;
  • A presença de nódulos ou caroços na região anal;
  • Secreção de pus ou muco;
  • Alteração no funcionamento do intestino.

Na Dallago Procto Clínica, tratamos essas condições com a seriedade e a discrição que elas exigem. O exame proctológico é rápido, indolor na grande maioria dos casos e essencial para fechar o diagnóstico correto na primeira consulta.

Sente algum desses desconfortos ou tem dúvidas sobre a saúde da sua região anal? Não adie seu cuidado por vergonha ou medo. A prevenção e o diagnóstico precoce são sempre os melhores caminhos.

 

Dr. André Dallago Machado
Coloproctologista | CREMESC 8829 – RQE 5414

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Para agendamentos, entre em contato através dos nossos canais oficiais.